Portela

Rua Vasco Santana, 7, 3ºdrt, Portela, Portugal

O processo de reabilitação urbana é presentemente, um dado adquirido, uma constante no vocabulário de um arquiteto. Ao contrário da fórmula moderna de tabula rasa ou da folha vazia de papel, a nova geração toma como aceite o ponto de partida de um projeto, o existente, procurando compreendê-lo e justificá-lo, com o objetivo de acrescentar uma nova fase na vida do espaço de intervenção.

O projeto do apartamento Portela procurou aplicar esta abordagem sobre um espaço habitacional dos anos 1980 num bairro periférico de Lisboa. O Plano de Urbanização da Portela de Sacavém (1960-1979) foi um protótipo na construção dos dormitórios-satélite da cidade. Sucedânea do modelo de cidade funcional, a Portela foi idealizada como um conjunto de alta densidade, de barras habitacionais dispostas na melhor exposição aos elementos naturais, em torno de um centro cívico e um parque urbano.

Hoje, a sua unidade arquitetónica marca a imagem do conjunto, de barras e torres idênticas na sua identidade urbana. No entanto, esta unidade esconde diversos edifícios, realizados por diferentes construtores, onde a arquitetura do projeto original do edifício foi desenvolvida, criando uma riqueza de tipologias que partilham uma base comum, a estrutura de betão armado.

Antes da intervenção, a planta do apartamento era clara na sua divisão funcional, um paradigma de tipologia de um edifício da sua época. A partir do núcleo de circulações verticais no interior, entramos no apartamento no espaço de circulação da casa, que medeia de um lado, as áreas sociais (salas) e de serviços (cozinha, arrumos, quarto empregada), do outro as áreas privadas (3 quartos) e no seu interior as instalações sanitárias.

Consequentemente, o projeto definiu a estrutura de betão como elemento fundamental e caracterizador da intervenção, tornando-a protagonista do espaço. A planta livre, permitiu a clarificação dos espaços, demolindo barreiras físicas e anulando espaços obsoletos à vida contemporânea. As áreas sociais e de serviços foram reunidas num grande espaço unitário da vida social da casa, aproveitando a luz Nascente da fenêtre-en-longueur.

Os novos elementos adaptaram-se à altura constante das vigas de betão armado. Os revestimentos, as portas e os armários da casa são limitados por esta linha marcante do espaço. Um grande armário serve de pano de fundo da sala, resolvendo o lado utilitário de espaço de estante, bar, louceiro, rouparia e bengaleiro. Seguindo a mesma materialidade, os armários da cozinha marcam o outro pano de fundo do espaço de vida social.

O pavimento de taco de madeira em ponto de espinha, contínuo em todo o apartamento, sublinhou a estratégia de espaço unitário, sendo apenas quebrado pela marmorite de cimento branco e inertes de pedra local nas zonas húmidas. A iluminação artificial foi concebida em complementaridade com a iluminação natural, criando linhas de luz indireta nos novos elementos nas zonas de maior sombra e sobre as áreas de trabalho.

 
 

Planta Proposta [+] Planta Existente [-]

 
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Nowadays, urban regeneration has become a regular word in an architect’s vocabulary. The tabula rasa modern formula has been superseded by the new generation. Starting off from the pre-existing construction, their aim is to understand it and justify it, in order to add a new step to the life of the space.

Apartment in Portela project seeks to apply this approach to a 1980s flat, in a housing neighbourhood, in the outskirts of Lisbon. Portela de Sacavém Urban Plan (1960-1979) was a prototype for suburb satellite dormitories around the city. This housing complex was designed as a functional city, with its high-density blocks deployed to achieve best exposure to natural elements, built around a civic centre and its urban park.

Today, its architectural unity still determines its urban image, recognisable by the set of blocks and towers, identical in its urban identity. However, on a closer look, this unity hides multiple buildings, constructed by different builders that introduced enhancements to the original architecture project, thus creating a complexity of different typologies that share a common base: the concrete structure.

The original apartment plan was clear in its functional design, as a paradigmatic typology of a common building of its time. Through the stairs and lift core, one enters the flat in a crossing hall, which mediates the social areas (living and dining) and services (kitchen, pantry, maid’s room) from the private areas (3 bedrooms), from the interior bathrooms.

As a start, the intervention defines the existing concrete structure as a fundamental and distinctive element, taking the leading role within the new space. The free-plan allowed a clarification of space, by removing existing elements and demolishing obsolete rooms for today’s contemporary life. Social and services were combined into one large space, becoming the house social node and taking advantage of the sunlight from the fenêtre-en-longueur.

The concrete frames are expressed and work as a datum for the new designed elements. Doors, cabinets and finishes follow this new datum. A large wooden cabinet serves as a background of the social node, providing storage to the house as library, bar, cupboard, wardrobe and cloakroom. At the opposite wall, the new kitchen cupboards, in the same material, provide consistency to the room.

A herringbone timber floor is laid throughout the flat underlining the strategy for a unitary space. It is only interrupted by the terrazzo finish floor of the kitchen and bathroom floor, made from local white marble, limestone. Artificial lighting is designed to complement natural sunlight and to create indirect lighting to the new elements shaded areas and working stands.

 
 

Ano/Year: 2017_2018

Construído/Built

Habitação/Housing

Área construída/Built area: 150m2

Cliente/Client: Privado/Private

Equipa/Team: André Costa, Marina Malagolini

Rodrigo Lino Gaspar

Fotografia/Photography: Francisco Nogueira